GENEALOGIA BRASILEIRA

Estado do Rio de Janeiro - Povoadores da Região Serrana

 

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

  

BARDASSON, MADUREIRA CAMPOS, MACHADO DUTRA, VALLE, PILLOUD, ALLEGRE, ARAÚJO, TEIXEIRA PORTUGAL, ALVES MAIA e BARBOSA

  

DARLI BERTAZZONI BARBOSA, nascido em Londrina/PR, aos 06 de Maio de 1.958, Advogado da Caixa Econômica Federal. Diretor da Associação Nacional dos Advogados da CEF (darli.bertazzoni@londrina.net).

    

                       1.  BARDASSON = BERTAZZONI

 

1.1.  A Origem Italiana         

No dia 03 de novembro de 1.888 a família BERTAZZONI, que no Brasil adotou o nome de BARDASSON, embarcou no Porto de Genova, Itália, rumo ao Brasil. A chegada deu-se aos 25 de novembro de 1.888, no  Porto do Rio de Janeiro, quando deram entrada na Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores,  vieram a bordo do Navio “Città di Roma”, (Lv de Registro de Entrada de Imigrantes nº 33, fls. 27-verso, nºs de Ordem 23.782 a 23.787 – Microfilme 018-93 do Arquivo Nacional, Rio de Janeiro/RJ e também no  item 2, fls. 27-verso, do FHL INTL Film 1285673 da  Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias). 

Deixaram sua pátria natal com visto concedido aos 02 de novembro de 1.888, pelo Consulado Geral do Império do Brasil na Itália, com destino ao Estado de Minas Gerais. 

Vieram com Passaporte Familiar de número 3.134 do Registro 64, expedido aos 13 de outubro de 1.888 pelo Prefeito de Minerbe, Província de Verona, Itália. 

No Porto de Genova obtiveram novo Registro de Passaporte, desta vez, sob o número 29 e State Famiglia (composição da família) sob nº 855. 

A família era então composta de pai, mãe e quatro filhos menores. 

Bertazzoni Giuseppe era o chefe da família, tinha então 49 (quarenta e nove) anos, 1,70 metros de altura, cabelos e barbas castanhos, os olhos eram cinza bem claro. Sua esposa chamava-se Piccoli Maria Luigia, tinha então 41 (quarenta e um) anos; os filhos eram: Antônio Luigi, com 17 (dezessete) anos; Riccardo Giovanni, com 15 (quinze) anos; Agostino Angelo, com 12 (doze) anos; e Aristodemo, com 04 (quatro) anos. 

Bertazzoni Giuseppe era lavrador, nasceu na comine de San Pietro di Morubio, Província de Verona, aos 29 de abril de 1.839 tendo sido batizado na Paróquia SS. Pietro e Paolo Apostoli, daquela mesma comine, no dia 30 do mesmo mês e ano (Livro de Registro de Batismo sob nº 1, termo número 12). Era filho de Bertazzoni Alessandro e de Bersan Maria. 

Piccoli Maria Luigia nasceu na comine de Roveredo di Guà, à época Província de Vicenza e atualmente pertencente à Província de Verona, aos 21 de março de 1.847 tendo sido batizada no mesmo dia na Paróquia S. Pietro Apostolo daquela mesma comune. Ela era filha de Piccoli Santo (ou Sante) e de Libera Anna (Libran). Seu avô paterno chamava-se Michele e o materno Domenico. 

Bertazzoni Giuseppe e Piccoli Maria Luigia contraíram matrimônio aos 15 de fevereiro de 1.870, na Paróquia de S. Lorenzo, comune de Minerbe, Província de Verona (Livro de Registro de Matrimônio do ano de 1.870 sob o termo número 2/115). Ao se casarem ele morava na Contrà Casotti, 291 e ela na Contrà Colombaron, 450. 

Bertazzoni Antônio Luigi nasceu na comune de Minerbe, Província de Verona, aos 20 de fevereiro de 1.871 tendo sido batizado no dia 24 de fevereiro de 1.871 na Paróquia S. Lorenzo daquela mesma comune (Livro de Registro de Batismo sob nº 69/2347, página 240). Teve lavrado o seu assento de nascimento junto a Prefeitura (Ufficio dello Stato Civile) de Minerbe aos 20 de setembro de 1.871, sob nº 16, indicando esta data como a de nascimento. 

Bertazzoni Riccardo Giovanni nasceu na comune de Minerbe, Província de Verona, aos 03 de novembro de 1.873 tendo sido batizado no dia 16 de novembro de 1.873 na Paróquia S. Lorenzo daquela mesma comune (Livro de Registro de Batismo sob nº 80/2541, página 259). Teve lavrado o seu assento de nascimento junto a Prefeitura (Ufficio dello Stato Civile) de Minerbe aos 03 de novembro de 1.873, sob nº 120. 

Bertazzoni Agostino Angelo nasceu na comune de Bonavigo, também na Província de Verona, aos 12 de julho de 1.876 tendo sido batizado no dia 23 de julho de 1.876 na Paróquia de Sant’Andrea Apostolo, de Orti, fração daquela mesma comune. Teve lavrado o seu assento de nascimento junto a Prefeitura (Ufficio dello Stato Civile) de Bonavigo no ano de 1.876, sob nº 48 Parte 1. 

Bertazzoni Aristodemo nasceu na comune de Bonavigo, Província de Verona, aos 27 de outubro de 1.884 tendo sido batizado no dia 16 de novembro de 1.884 na Paróquia de Sant’Andrea Apostolo, de Orti, fração daquela mesma comune. 

Referindo a Histórias contadas pelos pais, os filhos de Angelo Bardasson (Bertazzoni Agostino Angelo), em especial João Bardasson e Angelo Bardasson (Angelin), contam que chegando à cidade do Rio de Janeiro, Bertazzoni Giuseppe e sua família despacharam seus pertencem para o Estado de Minas Gerais, mas acabaram embarcando no trem errado; deveriam pegar o trem para Minas Gerais, para onde se destinavam desde o embarque na Itália e para onde foi despachada a bagagem, mas pegaram um trem que fazia seu ponto final em Macuco, Estado do Rio de Janeiro. 

A família Bertazzoni foi obrigada a descer em Macuco/RJ, pois era ponto final do trem e por ali permaneceram, jamais tendo chegado a seu destino final, no Estado de Minas Gerais, e tampouco recuperado os seus pertences. 

Ficaram em Macuco/RJ por um pequeno período, trabalhando na Fazenda Val de Palmas, que foi de propriedade da família Van Erven (Antônio de Sampaio Van Erven) e posteriormente do Conselheiro Paulino Soares de Sousa. Depois se mudaram para várias localidades na mesma região, tais como, Fazenda Vargem, em Macuco, então pertencente ao Distrito de Euclidelândia, Cantagalo; Fazenda Castelo, em Santa Maria Madalena; Fazenda Monte Verde, em São Sebastião do Alto; Distrito de Conselheiro Paulino, no Município de Nova Friburgo; até fixarem residência definitiva no Distrito de Visconde de Imbé, então Município de São Francisco de Paula, atual Trajano de Morais/RJ, onde moraram e trabalharam em várias Fazendas, como por exemplo, dos Passos, São Caetano, (que já existia em 1.839, conforme referência no termo 87,  das fls. 92 do livro de batismos do SS Sacramento de Cantagalo dos anos 1.838/1.842, quando então era de propriedade do Dr. Carlos Teixeira da Silva), São Bento (de Coleto José Leite e sua esposa Ilidia Guilhermina Freire Leite, depois de Oldemar/Valdemar Leite) e  da Bonança (que já existia em 1.839, possivelmente de propriedade de Felisberto Antônio de Morais, conforme referência no termo 276, das fls. 68 do livro de batismos do SS Sacramento de Cantagalo dos  anos 1.838/1.842). 

O povoamento da região de São Francisco de Paula começou por volta de 1.801, por plantadores de café e de cereais, nos arredores do que aos 27 de maio de 1.840 foi, pela Lei provincial 218, da mesma dada, reconhecida como Curato de São Francisco de Paula, localizado no alto de uma montanha, vinculado à Freguesia de São Pedro de Cantagalo. 

Aos 20 de maio de 1.846 o Curato de São Francisco de Paula foi, pela Lei Provincial 400, elevado à condição de Freguesia (Freguesia de São Francisco de Paula), vinculada ao Município de Cantagalo/RJ (3º Distrito). 

São Francisco de Paula, que pertencera originariamente ao Município de Cantagalo incorporou-se ao de Santa Maria Madalena, pela Lei Provincial 1.208, de 24 de outubro de 1.861, situação esta que perdurou até março de 1.891. 

Em 1.891 o Município de São Francisco de Paula foi criado pelo Decreto nº 178, de 12 de março de 1.891, do então Governador do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Portella e instalado aos 25 de abril de 1.891, conforme deliberação datada de 13 de abril de 1.891. 

Para atender a interesses políticos, a sede do município foi transferida, por força da Lei 1.234, de 18 de janeiro de 1.915, à Estação de Ventania e para o Distrito de Visconde de Imbé, no dia 18 de novembro de 1.919, por força da Lei 1.633, passando a funcionar num lugar denominado Aurora, atualmente neste prédio funciona um Hotel do mesmo nome. 

No dia 27 de dezembro de 1.923 a sede do Município de São Francisco de Paula foi transferida novamente para o lugar denominado Ventania (Estação de Trajano de Morais), por força da Lei 1.790. 

 No dia 27 de dezembro de 1.929 por força da lei Uniformizadora 2.335 foi elevada à condição de cidade e sede de município e no dia 31 de março de 1.938 teve o seu topônimo alterado para Trajano de Morais, nome que ainda se mantém. 

 São Francisco de Paula, no local onde nasceu, no alto de uma montanha, atualmente se resume em um vasto espaço aberto, uma alameda margeada por árvores, um cemitério do mesmo nome, uma capela em cujo interior tem uma lindíssima figura do Senhor Morto, uma Igreja em ruínas em cujo interior existem peças e lustres belíssimos e em algumas poucas casas, no Distrito de Visconde de Imbé, Município e Comarca de Trajano de Morais/RJ. 

Nos seus áureos tempos, porém, além do que hoje ainda existe, ali havia várias construções imponentes onde funcionavam comércios, hotel de luxo, câmara, prefeitura e forum. 

No Brasil, a família Bertazzoni adotou Bardasson como seu nome de família, sendo que Giuseppe Bertazzoni adotou o nome de José Bardasson. Giuseppe, no Brasil, equivale a José e Bardasson foi a forma abrasileirada que encontraram para o nome Bertazzoni. José Bardasson passou a ser o nome grafado em todos os assentos de seus descendentes. 

Conta-se que esta alteração nos nomes, inclusive nos de família, muito comum nos imigrantes que vieram para o Brasil, era para evitar a suas localizações e convocações para retornarem à Itália para lutarem na guerra. 

Maria Piccoli praticamente manteve seu nome, apenas deixou de usar o seu outro pré-nome, Luigia.

Bertazzoni Antônio Luigi (meu bisavô) adotou o nome de Antônio Bardasson, que passou a ser grafado nos assentos de seus descendentes; Bertazzoni Riccardo Giovanni adotou o nome de Ricardo Bardasson, que passou a ser grafado nos assentos de seus descendentes; Bertazzoni Agostino Angelo adotou o nome de Angelo Bardasson, que passou a ser grafado nos assentos de seus descendentes, também usava o nome de Bardasson Angelo; e Bertazzoni Aristodemo, adotou o nome de Aristodeme e Aristodemo Bardasson. 

Ainda referindo-se a relato de seus pais, Angelo Bardasson (Angelin) conta que José Bardasson (Bertazzoni Giuseppe) era uma pessoa inquieta e impaciente, não tinha muito parada e mudava de residência e de local de trabalho com freqüência. 

José Bardasson (Bertazzoni Giuseppe) faleceu aos 15 de dezembro de 1.901, às 13:00 horas, de morte natural, na então Vila de São Francisco de Paula, no Distrito de Visconde de Imbé, Município e Comarca de Trajano de Morais/RJ (Lv C-02, fls. 108, termo 112, do 2º Distrito), tendo sido sepultado no Cemitério de São Francisco de Paula.

 

Maria Piccoli (Piccoli Maria Luigia) teria falecido no mês de dezembro de 1.920 e também foi sepultada no Cemitério de São Francisco de Paula, embora não tenha sido localizado seu atestado de óbito e tampouco a guia de sepultamento.

 

Ir para: Página Principal,    Índice Geral,    Região Serrana,    Imigração árabe,    Títulos Perdidos,      Tiradentes,     Batch Number,