GENEALOGIA BRASILEIRA
Estado do Rio de Janeiro, Brasil - A Imigração Árabe (Genealogia, Memória e Homenagens)

Família ABDALLA III

                                               Lênio Luiz Richa (lenioricha@yahoo.com.br)

 

 

          Abdalla Tanus, proveniente da família Abi-Khalil, de espírito muito jovial, morreu quando ao pegar um passarinho, que capturara numa armadilha, caiu batendo o crânio no pedregoso chão do Monte Líbano.
          C. 1ª vez, com (...) e, ficando viúvo muito cedo contraiu novas núpcias com Massauda Francis Helayel, esta então com 15 anos. Eram ambos provenientes de famílias conhecidas e respeitadas na região. Após uma pequena estada no Egito, a viúva e os filhos vieram para o Brasil, onde chegaram no dia 30 de junho de 1904, desembarcando no porto do Rio de Janeiro. Ela faleceu em 1926, estando sepultada no cemitério de Santa Maria Madalena.

          Texto gentilmente enviado pelo autor, constante da Encyclopédie Maronite, Vol. 1, página 536:

          "A família Abi-Khalil passou a ser conhecida a partir do século XIV, através de seu membro mais ilustre, o Patriarca Católico-Maronita Gabriel de Hjoula, que foi Patriarca entre 1357 e 1367, ano em que se entregou ao Wali (Governador mameluco de Tripoli), com o intuito de resgatar alguns Bispos, monges e notáveis maronitas que restavam prisioneiros, após o que foi martirizado sendo queimado vivo na praça pública de Tripoli.
           Assim no ano de 1413 os parentes do Patriarca-martir deixam a cidade de Hjoula para se instalar em Mayruba, onde passam a utilizar o nome Abi-Khalil (Pai da bondade). Desta cidade eles migraram para outras regiões e por volta de 1729 alguns membros desta família chegaram a Haret es Sitt, nas imediações de Wadi Chahrour, este ramo da família passou a se chamar Mekari.
           Esta família teve e tem membros destacados na Igreja, na política, negócios e cultura no Líbano. Sendo ainda citados como família de notáveis nas diversas localidades em que habitam, como Kahalé, Mayruba, Bdadoun, etc."

          Da 1ª esposa teve filho único:

1.1 Jean, n. Líbano (que veio a falecer no Brasil). 

          Da 2ª esposa, sendo ela ainda muito jovem já tinha três filhos: 

1.2 Melhem Abdalla El-Mekari (no Brasil, apenas Melhem Abdalla), n. 05.01.1888, em Wadi Chahrour, no Monte Líbano, que é muito próxima a Beirute, Líbano, e ainda constitui um excelente lugar de veraneio pelo seu clima.
          Ao chegar, estabeleceram-se em Grama de Macabu, distrito de Trajano de Morais, pois ali achava-se um primo que queria retornar ao Líbano e assim o jovem Melhem tornou-se comerciante.
          Logo fez fortuna com o comércio de gêneros alimentícios (fazendo negócios com os grandes da região, com destaque para a família Silva Freire, com a qual conservou grande amizade, especialmente com a sobrinha e herdeira dos Barões de Madalena e seu marido o Coronel Emílio Fortes) e já por volta dos 24 anos era tido como um dos homens mais ricos da região.

          Em Trajano conhecera Ida Girardi, natural de Verona, na Itália, filha de Antônio Girardi e de Regina Girardi. Logo encantou-se pela sua beleza e modos, o mesmo aconteceu com ela. Todos diziam que formavam um casal de grande formosura.
          Sua mãe, Massauda não estava muito contente com essa quebra da tradição, pois os católicos maronitas, preferem sempre casar com pessoas da mesma cidade e, de preferência, parentes.
          O casamento realisou-se em 30 de novembro de 1913, no Curato de São Francisco de Paula então sede do Município de Trajano. A noiva contava dezenove anos e o noivo 25.
          Era um casal belo e afortunado e logo em 1914 tiveram o primeiro filho, José Abdalla, que veio a falecer ainda criança em 1916, de crupe, dizem que era um bonito garoto com longos cabelos loiros; foi uma grande tristeza e alguns dos belos cachos loiros foram guardados de recordação.
          A família ia aumentando  e com o tempo e por influência de alguns parentes foram para o Rio de Janeiro e habitaram um belo palacete em Santa Teresa, ao mesmo tempo possuiam uma firma atacadista na Rua da Alfândega.
         Mas as coisas começavam a mudar, o café já não estava tão rentável, havia o prenúncio de uma crise. Assim, em alguns anos voltaram para Trajano e, logo em seguida, foram para Santa Maria Madalena. Lá nasceria seu último filho.
         Com o estouro da crise de 29 tudo ficou pior e a família então acostumada a viver luxuosamente, pois possuiam inclusive automóveis, teve que se acostumar a uma nova vida.
         O luxo foi abandonado, mas a dignidade permaneceu, vendendo inclusive muitas de suas jóias, Melhem Abdalla conseguiu saudar suas dívidas e não chegou a falir.
         Por períodos esporádicos moraram ainda em Trajano , mas depois retornaram para Madalena, onde findariam seus dias .
         A Casa comercial foi mantida sob o nome Casa da Chaleira, ainda hoje funciona sua sucessora a Casa J. Nilson Abdalla.
         Massauda, com o correr do tempo e vendo que a nora era de muito caráter e nada lhe opunha, passou a tê-la como filha e assim foi até a morte.
         Melhem Abdalla faleceu em 1972, sua esposa viria a falecer em idade avançada em 1989.

2.1 José Abdalla, n. 1914, que veio a falecer ainda criança em 1916.

2.2 Egeny (apelidada Geny), 20/04/1916 - 10/2006, casada em 19/03/52 com Jamil Enne (1913-1992), também descendente de libaneses (com geração).

2.3 Naby Abdala, 08/02/1918 - 07/1991, prefeito de Santa Maria Madalena, RJ, cc. Leontina Machado Botelho, f. de Ranulfo Machado Botelho e Maria Lopes Machado, com geração no livro "Machado Botelho, de Cantagalo", de J.B. de Athayde, fls. 92.

2.4 Albert, 20/02/1919 - 1986.

2.5 Albertina, 20/07/1921.

2.6 Valdemiro, 06/01/1923 - 2000, casado com Lia Caputo (com geração).

2.7 Siléia (apelidada Lêda), 20/10/1925, casou-se em 05/1948 com Jomar Seba, (06/11/1923 - 1989), de importante família de negociantes libaneses, instalados em Trajano de Morais.

2.8 José Nilson Abdalla, 03/08/1927 - 25/11/2009, último filho, sempre esteve ao lado de seu pai sendo seu sucessor na casa comercial que adquirira do mesmo. Casou-se em 21/12/1952 com Neyse Ferreira Gomes (nascida em 23 /06/1930) e tiveram uma única filha:

3.1 Gina Gomes Abdalla, nascida em 12/11/1953 e falecida em 20/06/2003, casada com Chaul Wady Buchaul (30/11/1945), natural de Campos dos Goytacazes, RJ, médico-veterinário, diretor da EMATER-RIO em Santa Maria Madalena. Com geração na família Buchaul.

1.3 Salim Abdalla, foi a passeio no Líbano em tenra idade e voltou casado com Helena Calife. E foram os pais de:

2.1 Maria, casada com um dos membros fundadores do clube Monte Líbano no Rio de Janeiro, Maurício Chami, davam memoráveis festas e recepções para os Cônsules libaneses.

2.2 Adélia.

2.3 Luzia.

2.4 Carmelita.

1.4 Nassebe Abdalla casou-se com o sr. Hammer Elias e ficou viúva em tenra idade. Foi mãe de:

2.1 Manira Hamer, casada com Francis Bulus, com geração, na família Bulus.

2.2 Samia Hamer, n. 1906, em Wadi Chahrour, Bispado de Beirute, casou-se, em 24 de agosto de 1929, em Santa Maria Madalena, RJ, com José Maron Farah, nascido em 1891, na mesma cidade, filho de Maron Farah e Chamer Assaf, sem geração.

2.3 Fued Hamer, batizado em São Francisco de Paula (atual município de Trajano de Morais), em 1909 (com geração).

 

Nota nº 1:

Todas as informações sobre esta família foram, gentilmente, enviadas pelo Sr. Doutor Heitor Abdalla Buchaul, descendente da mesma.

 

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