GENEALOGIA BRASILEIRA
Estado de São Paulo, Brasil - A Imigração Árabe (Genealogia, Memória e Homenagens)

Família: DAHER III

                              Lênio Luiz Richa (lenioricha@yahoo.com.br)

 

 

                     BREVE RELATO DA HISTÓRIA DA FAMÍLIA DAHER NO BRASIL

 

            Nossos avós Antonio José Daher e Maria Abrahão Abboud, ainda bastante jovens, tentaram emigrar de Kobayat, no Líbano, para a América do Norte, no começo do século XX.

Mas ao chegarem ao Porto de Marselha precisaram sair do cais pois seu filhinho Emil estava muito doente. Veio a falecer. Depois de sepultá-lo, voltaram ao cais e...o navio havia partido.

Sem dinheiro e sem mais nada, pois o navio levara tudo que tinham, meu avô trabalhou nas fornalhas de Marselha, jogando carvão ao fogo, até arrumar meios para retornar a Kobayat.

Mas o sonho de partirem para uma nova vida não havia acabado. Tão logo puderam reiniciaram viagem. Sei que ele deixou em Kobayat uma irmã de nome Sarah, filha do primeiro casamento de seus pai.

Agora vieram para a América do Sul, mais precisamente para o Brasil. Traziam consigo seus irmãos.

Ele trazia seus irmãos Elias e Abrahão. Ela , seus irmãos Jorge e Marta, que acabou ficando na França, onde ingressou na Ordem das Carmelitas.

Desembarcaram no Porto de Santos em 02 de novembro de 1912. e vieram para São Paulo, onde fixaram-se no Ipiranga, lugar onde nasceu Júlia, em 01/07/1914. Depois foram para a Senador Queiroz onde nasceu José, em 23/01/1917. Em seguida foram morar na Rua Barão Duprat, nas imediações da 25 de março, onde moraram num casarão coletivo.Alí nasceu Alfredo em 06/10/1919. Na Rua Florêncio de Abreu,nasceu Adélia, em 21/11/1921.

Foram para Jacareí pela primeira vez em 1923, tendo residido no bairro do São João.

Foram para Jambeiro onde ficaram 2 meses.

Chegaram em Caçapava em 1923, na Rua 14 de abril, onde abriram um armazém. Alí nasceram a Olga em 26/01/1924, a Geni em 22/08/1928, o Jorge em 03/04/1926, o Amílcar em 07/01/1932 e a Nilza em 27/02/1930, pelas mãos de uma parteira chamada Mariquinha Lora, parente de Dona Yolanda Chieffi. Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, vovô era guarda linha.
Por conselho do pai de Rafael Baldacci que era banqueiro na época, que o aconselhou a mudar-se de Caçapava, resolveram ir para Paraibuna, onde chegaram em 15 de agosto de 1932.Foram apresentados na cidade por Nicanor Tobias que era Prefeito da cidade na época.

Montaram uma loja no Largo do Mercado. Depois, em 1939 compraram a casa da Rua Coronel Camargo nº 139 onde montaram a loja deles.Ali nasceram Diva em 03/07/1934 e Lélis em 18/08/1937. No desejo de estudar os seus filhos em curso mais avançados compraram uma loja em Jacareí na Rua Dr. Lúcio Malta nº 404.

Em 15 de agosto de 1947 vieram para Jacareí a vovó, tio Jorge, para ajudá-la, e tia Geni, tia Nilza e tio Amílcar para estudarem, elas, a Escola Normal, e ele, o Curso de Contabilidade. Ficaram em Paraibuna, o vovô, com as tias Olga, Diva e Lélis. Esta transição durou mais ou menos 4 meses.

Em 1949 o vovô passou a loja de Paraibuna para o tio Jorge que acabara de casar-se. E, em Jacareí fixaram de vez a sua residência até o final de suas vidas e onde fixaram-se também a maioria de seus filhos.

Trabalharam duro no começo de vida no Brasil. Em condições difíceis e sem nenhum conforto material, lutaram pela busca de um rumo para suas vidas.

Primeiro Caçapava, onde nasceram seus filhos Olga,Jorge, Amílcar e Ilza.Depois Paraibuna onde nasceram Diva e Lélis, e finalmente Jacareí, onde chegaram em 1948, buscando meios de educar os seus filhos.

O sonho de uma vida nova, mais promissora, numa terra onde pudessem ter e criar os seus filhos com dignidade e amor realizou-se.
Hoje somos uma família enorme que atua nos mais diferentes setores da atividade socio-política e econômica do país, e temos orgulho em dizer que somos descendentes de dois jovens sonhadores que um dia....partiram da longínqua Kobayat em busca de melhores dias para eles e para a família que começavam a construir.

O sonho e a esperança foram os motivos maiores de suas lutas e batalhas na edificação de nossa família no Brasil.

Lembro-me muito bem de meu avô. O seu amor à terra que os recebeu era tão grande que no fundo ele se considerava um brasileiro autêntico.

Hoje , depois de um século, nós, seus descendentes podemos afirmar com convicção que os dois foram vitoriosos em seu projeto de vida e ofereceram para a sociedade brasileira, homens de bem, que hoje ajudam na construção de um país mais justo, mais humano e cristão.

Tenho muito orgulho de ser um descendente do glorioso país do cedro, que bravamente vem resistindo no decorrer da história, apesar de ser pequenino no oriente. Mas é grande no caráter de seu povo.

Tiveram 11 filhos:

1. Júlia (Xaide)Daher Roberto (falecida)
2. José Moisés Daher (falecido)
3. Alfredo Daher (falecido)
4. Adélia Daher Felipe)(falecida)
5. Olga Daher Moisés.(falecida)
6. Jorge Daher ( falecido)
7. Estelita Daher Farat (Geni)( falecida)
8. Ilza José (Nilza)(falecida)
9. Amílcar José Daher (falecido)
10. Diva Daher de Barros (Queluz) única filha viva
11. João Moisés Daher- (Lélis)(falecido)
Genros e noras
1. Vitorino Roberto ( falecido)
2. Luiza de Melo Daher ( Paraibuna)- 95 anos
3. Maria Augusta Ribeiro Daher (falecida)
4. Antonio Felipe (falecido)
5. Antonio Moisés (falecido)
6. José Farat (falecido)
7. Eliza Abrahão Daher (falecida)
8. Moisés Esper (falecido)
9. Maria Aparecida José Daher(falecida)
10. José Cândido de Barros (falecido)
11. Otília de Souza Moisés
12. Maria do Carmo Guardia
13. Vera Lucia Souza

Resumo: estão entre nós: tia Diva e tia Luiza.

Entre netos, bisnetos e tataranetos a família hoje já beira o número de 300 descendentes.
Apenas a título de curiosidade, já que seria impossível relacionar todos, vai aqui alguns netos de meus avós: Sônia, Elsie, Toninho, Mário, Paulo, José Ivens, Isa, Régis, Sheila, Sérgio, Sidnei, Suelí, Aparecida, Érix, Jefferson, Zézinho, Fábio, Dayse, Luiz, Eduardo, Carlos Alberto, Leonardo, Carlinhos, Carlos, Jorginho, Willian, Alfredo jr. Jr.

A família cresceu muito. Hoje já não temos mais o controle de 15 anos atrás. Muitos seguiram rumos diferentes e não têm convivência conosco. Sabemos de todos. Não temos mais, um controle de todos os membros da família.
O fato é que atualmente, nos restringimos a viver unidos, apenas, os mais velhos e os mais unidos pelos laços fortes de sangue que nos une.

Mas o balanço final é positivo. Somos uma família que se conhece, apesar de não convivermos muito unidos. Mas é um fato natural e nada podemos fazer para reverter este quadro.

Os exemplos de nossos avós Antonio e Maria ficaram.
Graças a Deus, são todos, seres honrados, trabalhadores, e que, cada um em seu trabalho diário, ajudam na construção de um Brasil melhor.A família tem sua base em Jacareí.
Mas há familiares em Caçapava, Taubaté, São José dos Campos, Queluz, Paraibuna e Vitória, Espírito Santo.

Os descendentes de meus avós Antonio José e Maria hoje exercem as mais diferentes atividades profissionais nos diferentes setores da sociedade brasileira.

Há comerciantes, empresários, médicos, advogados, educadores, empresários da educação, enfim as atividades que no início da vida no Brasil era apenas o comércio, hoje diversificou-se nos diversos setores da atividade econômica e social.

Como é gratificante narrar a saga de dois jovens que um dia resolveram aventurar-se pelo mundo com o ideal de construir uma vida melhor para si e para seus descendentes.

Seus ideais de vida foram alcançados plenamente. Criaram seus filhos na mais rígida maneira árabe e cresceram pessoas dígnas de respeito que constituiram família íntegras e honradas que hoje já estão na 5ª geração de descendência.

Integrados completamente aos padrões de vida do brasileiro nato, expandiram seus círculos de relacionamento e sempre cultivaram em seus filhos o respeito à terra que um dia os recebeu de braços abertos.

Hoje são todos brasileiro completamente integrados à vida social e intelectual do país, guardando apenas o respeito e orgulho das origens de seus ancestrais.

Em 01 de novembro de 2012 completou o centenário da chegada do casal no Brasil


 

Nota nº 1:

Fonte: Este excelente relato histórico/genealógico é de autoria do Sr. Paulo Afonso Ribeiro Daher, neto do Sr. Antonio José Daher, acima.

 

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