GENEALOGIA BRASILEIRA
Estado do Rio de Janeiro, Brasil - A Imigração Árabe (Genealogia, Memória e Homenagens)

Família: HELAYEL

                                                                                                  Lênio Luiz Richa (lenioricha@yahoo.com.br)

 

          Dois irmãos desta família vieram para Trajano de Morais e Santa Maria Madalena, RJ: 

1.1 Massauda Francis Helayel, 2ª esposa de Abdalla Tanus, moradores em Wadi Chahrour, no Monte Líbano, próxima a Beirute, após o falecimento do marido, veio em 1904, com os seus filhos. Vide a geração na família Abdalla

1.2 Abdo Francis Helayel estabeleceu-se primeiro em Trajano, junto ao sobrinho Melhem Abdalla, depois em Santa Maria Madalena, onde veio a falecer em 1923.
          Veio ainda sozinho para o Brasil e sua esposa e filhos ficaram no Líbano, nesse ínterim estourou a primeira guerra e o Mediterrâneo oriental ficou bloqueado e assim vários gêneros alimentícios importados pelos libaneses não chegavam. Foi um período terrível em que pereceu um de seus filhos.
          Era casado com Mohab Helayel, falecida também em Santa Maria Madalena nos anos 40.
          Tiveram ainda por filhos:

2.1 Elisa, casada com um seu primo em primeiro grau (filho também de uma Helayel), e estabeleceram-se em Nova Friburgo, sendo pais de:

3.1 Alberto.

3.2 Liseth.

2.2 Elias Abdo Francis Helayel: nascido em 27/01/1906 chegando ao Brasil em 1920. Ainda jovem assumiu a casa comercial deixada pelo pai e possuiu durante longos anos uma fábrica de sabão, de nome Oriente.
          Dedicou-se também à pintura e à poesia e divido à boa bagagem cultural trazida do Líbano, lecionou francês no Ginásio Madalenense em 1927.
          Foi autor de diversos poemas em francês, mas sua principal produção foi na língua portuguesa, que aprendera sozinho.
          Contraiu núpcias com Enir Pontes Guinâncio (falecida nonagenária em 2002), descendente de colonos suíços originariamente estabelecidos em Nova Friburgo.
          Faleceu em 18/07/1988.

 

          A história da Família Helayel (Alhlal) no Líbano começa no século XV, quando o seu ancestral Jum'a Abi-Nar notável Sírio da Cidade de Ayn-Hila no coração do Anti-Líbano, transferiu-se com sua família para a cidade de Bsharré, originando a Casa de Anahilà (os originários de Ayn-Hilá).
          Existem duas versões sobre a destruição desta cidade, que importou no deslocamento da Família Abi Nàr para o Líbano.
          A primeira diz que houve uma terrível guerra entre essa família e a de Hlàl de Blûdàn, ocorrendo a vitória desta e a destruição da cidade.
          Outra versão diz que o Wali (Governador) muçulmano de Damasco, de passagem por ayn Hilyà, hospedou-se na casa do notável da vila, Jum'a Ab. Nàr e pede a mão de sua filha, Sitt (Dama) il-Ekhwé em casamento, Jum'a não querendo casar sua filha com alguém estranho à sua comunidade de Cristãos do Rito Siríaco e temendo uma possível repressão por parte do Wali, deixa o seu país acompanhado de toda a família, da qual constavam seis filhos. Furioso o Governador ordenou o saque da cidade, que foi posta sob fogo e sangue.
          Os Anahilà conquistam a consideração de todos e chegam ao posto de Muqqadam de Bcharré no ano de 1547.
          O Muqqadam no Líbano era o líder civil da respectiva comunidade religiosa e em Bcharré era especialmente importante, sendo chamados os Senhores do Norte. Este cargo era hereditário, e quando esgotavam-se os descendentes masculinos da família os descendentes do ramo feminino eram chamados a suceder.
          Com efeito em 1430 uma pessoa chamada Izz id-Dîn bin Jum'a, originário de ayn Hilya casou com a filha de Hussâm id-Din, neta de Qamar,
Muqqadam de Bcharré.
          A família Anahilá conservou o posto de Muqqadam até o ano de 1612 para alguns autores e de 1621 para outros.
          De fato neste período vários ramos dessa família começaram a migrar para outras regiões.
          Assim em 1613 Khalifa bin Jum'a Abi-Nàr vai para a cidade de Ehmej, um dos seus filhos, chamado José foi pai de Mouwad, o qual tinha grandes conhecimentos em ciências médicas e tendo sucesso no tratamento da esposa de um importante Lider xiita da região de Amshit foi convencido por este a permanecer naquela cidade; lá nasceram vários dos seus filhos, o mais novo chamado Saleh foi o genearca da família Helayel de Wadi Chahrour.
          Em Wadi Chahrour existiam outros ramos dos Anahilá, como os Assaf, descendentes de Yacoub bin Juma (ramo ao qual pertencia José Maron Fahrah, casado com Samia neta de Massauda Francis), os Khalifa (família da qual proveio uma nora de Massauda Francis, chamada Helena e casada com Salim Abdalla).
          Pelas regras e tradições maronitas era normal que fossem dadas prioridades aos parentes no momento em que os casamentos eram decididos, e isto seguia um enorme processo que avaliava a religião e as origens sociais do pretendente.
          Destacou-se na família Helayel de Wadi Chahrour, um dos mártires da independência libanesa, chamado Massoud Helayel, o qual fora julgado e condenado à morte por enforcamento no distrito de Aley em 25 de abril de 1916.
          Também é homenageado com um monumento na praça de Wadi Chahrour o Primeiro Tenente Joseph Helayel nascido em 1935 e morto em 1960 em serviço.
          Também são parentes dessa família o Presidente da República libanesa de 1964 a 1970 e diplomata Charles Helou.
          Outras personalidades do clã dos Anahilá são:
          São Charbel Maklouf;
          Os Patriarcas maronitas:
          -  Youhanna Maklouf ........... 1609-1633
          -  Mikhael Fadel ..................1793-1795
          -  Youhanna (João) Helou .... 1809-1832.
          Além de numerosos bispos, deputados e ministros.

Bibliografia:

-  "A história de Anahila" - escrita por Farid Abou-Fadel (El Helou);
-  "História de Ehmej" - escrita pelo Pe. Miguel Khalifa Ahol;
-  Encyclopédie maronite, Volume 1. Front Cover. Louis Hage, Université Saint-Esprit, 1992.

 

Nota nº 1:

Algumas informações sobre  o Sr. Elias Abdo foram retiradas do livro "Pétalas Esparsas", com uma coletânea de poesias suas, livro esse editado com o apoio do Dr. Geraldo José Machado, que também é autor do livro "Madalena Ontem e Hoje".

Nota nº 2:

Todas as informações desta página foram, gentilmente, enviadas pelo Sr. Doutor Heitor Abdalla Buchaul, trineto da Sra. Massauda, acima.

 

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